o silêncio é cortado pelo sopro
a serra funciona
o curumim enterrado
o silêncio dos pés descalços
pés urbanos
lapidando jóias de côco
as folhas faziam telas prateadas
entrelaçadas acolhiam da chuva e do vento o pequeno tribal
o cabeça chata
a comida era escassa
o vento entrava pouco
faliam os urbanos
venciam os curumins
mas a serra elétrica chegou e funcionou
deixou o folhiço virar lama
transeuntes se alcoolizarem e fartarem-se nas quilombolas
a imoral perversidade humana assumiu o posto lento que era da solidão trabalhosa da floresta
levou a prueza e sobriedade da floresta
trouxe uma guerra sem objetivos ou motivos
levou o pó
derrubou as gigantes árvores
derramou sangue sobre o leito do rio
a margem virou lama
a água ficou turva
não sobrarás nem as formigas
desde as gigantes as mais singelaz e fracas
depois sorrirás um Maracanã
não tens mais alma
pois estás sentado enquanto
morrem
destroem
ardem
é um jarro de mesa senhor
nem caroço de fruta
que jogamos ao redor da mesa suja do jantar
és brasileiro calado e mudo
és solidão
é nada
sexta-feira, 24 de julho de 2009
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