sexta-feira, 24 de julho de 2009

Floresta

o silêncio é cortado pelo sopro

a serra funciona

o curumim enterrado

o silêncio dos pés descalços

pés urbanos

lapidando jóias de côco

as folhas faziam telas prateadas

entrelaçadas acolhiam da chuva e do vento o pequeno tribal

o cabeça chata

a comida era escassa

o vento entrava pouco

faliam os urbanos

venciam os curumins

mas a serra elétrica chegou e funcionou

deixou o folhiço virar lama

transeuntes se alcoolizarem e fartarem-se nas quilombolas

a imoral perversidade humana assumiu o posto lento que era da solidão trabalhosa da floresta

levou a prueza e sobriedade da floresta

trouxe uma guerra sem objetivos ou motivos

levou o pó

derrubou as gigantes árvores

derramou sangue sobre o leito do rio

a margem virou lama

a água ficou turva

não sobrarás nem as formigas

desde as gigantes as mais singelaz e fracas

depois sorrirás um Maracanã

não tens mais alma

pois estás sentado enquanto

morrem

destroem

ardem

é um jarro de mesa senhor

nem caroço de fruta

que jogamos ao redor da mesa suja do jantar

és brasileiro calado e mudo

és solidão

é nada

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